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Depressão: a doença do século 21 e seus impactos

O impacto da depressão vai muito além do individual; a doença é uma questão de saúde pública, com consequências sócio-econômicas importantes.

A depressão não é uma doença atual. Ela vem desde a Grécia antiga, quando era chamada melancolia. Hoje, é uma das doenças mais comuns do mundo e uma das mais perigosas. 

A doença é um distúrbio afetivo que afeta o emocional do indivíduo que passa a sentir uma tristeza profunda, falta de ânimo, apetite, interesse em coisas comuns. Já no sentido patológico, há uma sensação de tristeza profunda, pessimismo, angústia, baixa autoestima que aparecem frequentemente e podem causar danos severos na pessoa. Por isso, é tão importante cuidar da saúde mental e realizar acompanhamento médico para o diagnóstico adequado. 

Mesmo falando mais sobre o tema, ele ainda é considerado um tabu e é visto com certo preconceito e resistência na adesão e procura de um tratamento. Dito isso, é crucial a conscientização das pessoas para desmistificar os preconceitos ainda presentes na sociedade. 

As causas do aparecimento da doença podem ser inúmeras, e vão desde predisposição genética até por exposição em ambientes estressantes, que na maioria das vezes nem sempre é relatado por quem vive a situação. O diagnóstico, todavia, só pode ser estabelecido por meio de uma escuta atenta e por uma percepção de sintomas que podem estar sendo até então negligenciados. 

O estigma é um dos principais obstáculos para a procura de tratamento adequado dos transtornos psiquiátricos. Com isso, muitas pessoas têm dificuldade em reconhecer os primeiros sinais da doença, além de ter muito preconceito envolvido acerca da mesma. A falta de apoio às pessoas com transtornos mentais, com o estigma e a vergonha associados a eles, são barreiras de acesso ao tratamento. 

De acordo com uma pesquisa conduzida pelo Ibope, 53% das pessoas entre 18 e 24 anos acredita que a maioria dos antidepressivos não funciona ou não sabe opinar sobre isso. 57% dos brasileiros de todas as faixas etárias acham que o psicólogo é o profissional mais adequado para o quadro. Além disso, 44% das pessoas não falariam sobre a depressão no trabalho.

Porque a depressão é a doença do século?

Mais de 300 milhões de pessoas ao redor do mundo são afetadas pela depressão e no Brasil cerca de 5,8% da população tem a doença. Conforme a OMS, a doença pode ser a mais comum no mundo até 2030, mais do que doenças cardíacas ou até mesmo o câncer. 

Quando ela dura muito tempo ou sua intensidade vai de moderada, ou grave, ela pode se tornar um problema sério de saúde, afetando a produtividade do paciente no trabalho, na escola e na família. Na pior das hipóteses, pode levar ao suicídio.

Isso faz com que o questionamento sobre o porquê da doença crescer tanto. Para entender esse cenário, podemos analisar os grupos de risco, ou seja, fatores que podem contribuir de certa forma para a aparição da doença. 

Alguns fatores de risco podem ser:

  • Mulheres: O número de pessoas do sexo feminino diagnosticadas com depressão é o dobro dos homens. Mas isso não necessariamente está relacionado com uma diferença biológica entre os sexos. Alguns estudiosos alegam que se trata de uma tendência maior das mulheres a procurarem ajuda e tratamento.
  • Outras doenças: Algumas doenças podem transformar-se em um gatilho para o desenvolvimento de um transtorno depressivo. Esses casos ocorrem principalmente em  problemas mais graves ou que submetem o paciente a tratamentos estressantes.
  • Uso de medicamentos: Existem remédios com efeitos colaterais que podem contribuir na indução da depressão. Cerca de 200 medicamentos consumidos no mundo possuem esse tipo de efeito, segundo reportagem recente do Estadão. Muitos desses são medicamentos amplamente utilizados como os beta-bloqueadores, consumidos em casos de hipertensão, corticoides e benzodiazepinas.
  • Idosos: o crescimento da população idosa e a falta de apoio e estrutura de muitos países para receber essas pessoas também constrói um cenário bastante propício para o desencadeamento da doença do século.

É tristeza ou depressão?

O ritmo em que vivemos, a falta de qualidade de sono, de exercícios físicos e excesso de trabalho, além do uso excessivo de redes sociais podem ser fatores que contribuem para aparecimento da doença e tudo isso geralmente faz parte da rotina diária de muitos. 

Quando alguém possui cinco sintomas de uma lista que inclui humor deprimido, que são: falta de interesse em atividades diárias, insônia, fadiga, falta de apetite, dificuldade em se concentrar e sintomas semelhantes por mais de duas semanas, pode ser considerado como um sinal de alerta para procurar ajuda. 

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Por não existir um exame que consiga diagnosticar que alguém tenha depressão, é um desafio diferenciar a tristeza da doença. Porém, para a depressão ser caracterizada como uma doença clínica, é preciso que se tenha uma mudança qualitativa na vida da pessoa, sendo o estado de tristeza profunda se mantendo persistente, impactando as relações pessoais e profissionais. 

A tristeza é passageira, a depressão não, ela te habita. O vazio e a desesperança invadem o cotidiano. Os eventos de vida desfavoráveis, como baixo acesso ao lazer, estresse crônico, violência, entre outros também são fatores relacionados ao aumento da depressão. 

Como a depressão se manifesta?

Os sintomas da depressão podem ser vários e difíceis de se identificar, visto que pode ser confundida com apenas tristeza. Entretanto, pode ser uma forma de alerta para identificá-la ao perceber os sintomas físicos, como tonturas, má digestão ou desânimo. De qualquer forma, apenas um médico pode diagnosticar a doença. 

Além dos sintomas físicos, há outros sinais que merecem atenção, podendo significar um episódio depressivo ou um transtorno maior, como: 

  • Ansiedade e angústia;
  • Desinteresse nas atividades cotidianas ou que despertavam algum prazer;
  • Sentimentos de insegurança, medo e desamparo;
  • Interpretação distorcida da realidade: pessimismo exagerado;
  • Dificuldade de concentração; raciocínio mais lento;
  • Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva, ou inapropriada;
  • Capacidade diminuída para pensar, se concentrar e tomar decisões;
  • Distorção do apetite (perda ou aumento);
  • Perda de líbido;
  • Insônia;
  • Dor no corpo e outros sintomas físicos aparentemente injustificáveis, como enjoo, azia, diarreia e etc.

Tratamentos para a depressão: quais são os mais utilizados?

Somente psicólogos, clínicos gerais ou psiquiatras são capazes de diagnosticar a doença. A partir da consulta, eles realizam uma análise dos seus sintomas e observam como o paciente se porta durante a consulta. 

Os métodos mais utilizados são: psicoterapia e tratamento com antidepressivos. Ambos variam de acordo com o tipo de depressão. Outros métodos podem ser muito interessantes para o combate da doença, como meditação, yoga, pilates, musicoterapia, entre muitas outras práticas chamadas de terapias holísticas.

Cada uma dessas técnicas e profissionais são responsáveis por proporcionar mais qualidade de vida ao paciente e auxiliar na remissão dos sintomas.

Os impactos da doença para a empresa

Produtividade, motivação, foco – as primeiras áreas impactadas quando o colaborador tem depressão. Ao ter a doença, o funcionário tem dificuldades para se concentrar em suas atividades e até mesmo socializar com seus colegas de trabalho. Como consequência, as faltas e os atrasos se tornam constantes e as entregas vão perdendo a qualidade.

Tudo isso se agrava quando a empresa não possui uma cultura humanizada em que, pautas como ritmo de trabalho e estresse não são discutidas pelo RH ou pela gestão de pessoas. Em um levantamento com 267 empresas feito pela Mercer, consultoria global de RH, menos de 20% investem em um programa de saúde mental para seus colaboradores.

Isso demonstra que o apoio das empresas é fundamental para o colaborador que desconhece muitas vezes sua situação ou é desencorajado a pedir ajuda devido ao tabu que acompanha a depressão. O investimento do cuidado ao colaborador beneficia ambas as partes: enquanto o empregado se beneficia por estar recebendo o auxílio necessário — enquanto a doença é mais facilmente contida— a companhia consegue reter seu funcionário e fortalecer sua marca empregadora.

Como a empresa deve se posicionar nesse cenário?

Treinar os times de gestão e liderança para lidar com problemas de saúde mental é crucial. Além disso, investir em programas de bem-estar e qualidade de vida, estimulando bons hábitos que cuidem do corpo e da mente podem prevenir outras doenças. Dito isso, é importante contar com bons profissionais, como psicólogos e terapeutas que saibam lidar com doenças mentais e encaminhar para tratamento mais recomendado.

Investir em soluções como as da Holos, que contam com programas de meditação, yoga, pilates, reiki, musicoterapia, talks, entre tantas outras auxiliam na promoção do bem-estar e qualidade de vida dos colaboradores. Além desses fatores, aumenta-se a qualidade de vida e a produtividade, e diminui-se taxas de absenteísmo e burnout

A depressão não deve ser encarada como uma fraqueza, em momento algum. A rotina e o ambiente de trabalho influenciam no aumento dos casos da doença e por isso traz a urgência de mudarmos os ambientes corporativos e torná-los cada vez mais saudáveis, para conseguirmos prevenir e diminuir os casos de depressão nas empresas. Não descuide da saúde dos seus funcionários: eles são a parte principal de uma corporação.

 

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